ELEIÇOES 2018: DISCURSO DE CANDIDATOS ACIRRA ELEIÇÃO MAIS VIOLENTA DOS ÚLTIMOS 30 ANOS

Imagem: Internet

O ataque a faca contra o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL/RJ) e o atentado a tiros contra a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em março, fazem das eleições presidenciais de 2018 a mais violenta desde o fim do regime militar.




Para analistas políticos e juristas entrevistados pelo R7, o tom usado pelos candidatos na campanha tem contribuído para esquentar de forma perigosa a polarização que vem tomando conta da política brasileira.

“Este é o ano eleitoral mais violento que eu já vi’, diz o jurista Gilson Dipp, ex-ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que também cita o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL/RJ) para a lista de atentados políticos de 2018.

Já era esperado que as eleições presidenciais deste ano fossem mais tensas em razão do cenário eleitoral incerto, sem favoritos e com pelo menos cinco candidatos com chances de ir ao segundo turno.

No entanto, o clima de violência e agressividade adotado pelos candidatos e suas campanhas elevam ainda mais a temperatura da eleição, avalia o cientista político Ricardo Ismael, professor da PUC do Rio de Janeiro.

Exemplos recentes são a declaração do próprio Jair Bolsonaro, cinco dias antes de ser esfaqueado em Juiz de Fora (MG), que conclamou seus apoiadores no Acre a "fuzilar a petralhada" no Estado. Ou ainda a fala do presidente do PSL, Gustavo Bebianno, logo após o ataque ao candidato, que disse "agora é guerra" em declaração ao jornal "Folha de S.Paulo".

"É uma figura retórica inapropriada para esse momento. Tem guerra sim para ganhar a eleição, já que há uma disputa muito acirrada. Mas tem que evitar essa linguagem militar e buscar uma linguagem mais apropriada para a campanha eleitoral", diz Ismael.

Dois dias após ser esfaqueado, perder mais de dois litros de sangue e passar por uma cirurgia delicada na Santa Casa de Juiz de Fora, Bolsonaro posou para foto pela primeira vez fora da maca e simulou com as mãos duas armas de fogo.

"Nada justifica a tentativa de homicídio, mas o próprio discurso político do candidato atingido contribuiu para isso [o clima de radicalização política]", afirma o professor de direito constitucional Flávio de Leão Bastos Pereira, da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Observatório Constitucional Latino-Americano.

"Quero lembrar que há discursos e atitudes políticas extremas de lado a lado. Mesmo esse rapaz [Adélio Bispo de Oliveira], que fez isso isoladamente, ele vem de uma outra visão política que o levou a uma atitude extrema. A caravana do ex-presidente Lula também foi alvo de tiros. Então isso não começa agora, é um processo que está em curso", continua Bastos Pereira.


Fonte: R7

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