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EQUADOR: “SÃO MILHARES DE MORTOS, NÃO HÁ UM BAIRRO SEM CADÁVERES NA RUA”, DIZ CHAMORRO

Reprodução/ Twitter
Governo equatoriano passou a distribuir caixões de papelão para enterros, diante do colapso do sistema funerário do país

Há cerca de 10 dias, o sistema público de saúde e o serviço funerário do país colapsaram; situação equatoriana é a pior em todo o mundo, diz analista político



O coronavírus tem afetado o mundo todo de maneira devastadora. Já são mais de 100 mil mortos atingidos pela Covid-19 e, aos poucos, os números de contágio na América Latina têm crescido e alarmado a população, que até um mês atrás assistia, como num filme de “fim do mundo” o vírus atingindo países mais ricos como China, Itália e Espanha.

Na América Latina, o vírus atingiu o Equador de maneira alarmante. Nas plataformas de divulgação oficiais, o país tem, nesta sexta-feira (10), cerca de 272 mortos. Porém, um levantamento feito pelo jornal equatoriano El Universo, aponta um número de 1.371 mortos no mesmo período, indicando uma defasagem nos dados oficiais do país.

Outro exemplo é o aumento de 300% dos enterros realizados na região de Guaiaquil, apontando um colapso não só do sistema de saúde, como do sistema funerário.

Para falar sobre o tema, a TV Diálogos do Sul entrevistou o analista político Amaury Chamorro, segundo o qual a quantidade de mortos per capita no Equador supera qualquer país do mundo. Ele  faz um alerta: “a situação em Guaiaquil é a pior do planeta nesse momento.”

“Lembramos que o Equador é do tamanho da cidade de São Paulo, e o governo não tem o sub-registro das pessoas contaminadas nem de pessoas que estão sendo tratadas nem de mortos. O governo não faz a menor ideia do que está acontecendo”, comenta o analista. 

Quando se fala em ‘alguns mortos’, não! São milhares de mortos, não há praticamente um bairro que não tenha cadáveres na rua, ou nas casas das pessoas”, diz.

Chamorro, que trabalha como analista de comunicação de diversos países da região explica que com o colapso do sistema público no país, as pessoas pediam por ambulâncias que nunca chegavam. Como medida de desespero, algumas levavam os infectados em seus próprios carros, chegando a hospitais que não tinham condições de atendê-los, fazendo com que voltassem com os doentes de todas as idades para suas casas.

Sem assistência médica, os doentes que voltam para casa ou os que ficam na espera da ambulância acabam falecendo e sem o serviço funerário para retirar os corpos dessas residências, “a grande maioria deles envolvia o cadáver no saco de lixo e o punha na porta de casa ou na calçada para evitar contaminação do resto da família”, denuncia Chamorro, que ressalta a inutilidade da ação, uma vez que “a pessoa acabou convivendo com aquele cadáver e com aquele doente durante o processo da doença, o que afetou praticamente a saúde de toda a cidade”.

“Infelizmente isso ajuda [na contaminação], mas destrói o mito de que tem que ter cuidado com os velhinhos quando, na verdade, a média de idade das pessoas que estão morrendo é de 20, 30, 40 anos”, afirma. “Têm crianças de cinco anos que já morreram de coronavírus.”

“O governo não faz ideia sequer de como recolher os corpos”

 O analista conta que, em Guaiaquil, praticamente todas as famílias têm um doente ou alguém que já morreu. Rico, pobre, branco, preto, índio, todo mundo. E denuncia a falta de atendimento por parte do governo.

“Eles não fazem ideia sequer de como recolher os corpos, já perderam milhares e as famílias não sabem onde estão os cadáveres, o governo recolheu de qualquer maneira, sem identificar, então você tem milhares de pessoas procurando na rua, nos hospitais, em qualquer lugar”, diz Chamorro.

O governo está recolhendo [os corpos] com caminhões contêineres, daqueles de frigorífico, eles tentam esconder. Chegam de madrugada nos hospitais, carregam 200 corpos de um só hospital, enchem o contêiner e vão embora com o caminhão escoltado pelo Exército e ninguém sabe pra onde vão esses corpos”, denuncia. “A situação é de uma dramaticidade sem igual, nunca o país viveu uma coisa parecida e isso é só o começo.”

Veja a entrevista completa:



Fonte:Diálogos do Sul


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